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Ágata Martins Advocacia

Requisitos do Divórcio Consensual no Cartório

Conheça os requisitos do divórcio consensual em cartório, os documentos necessários e o passo a passo do divórcio extrajudicial feito por escritura pública.

Por Dra. Ágata Martins · 19 de julho de 2026

Encerrar um casamento raramente é uma decisão simples, mas quando o casal chega a um acordo sobre o fim da união, a lei brasileira oferece um caminho mais direto do que o processo judicial. Entender os requisitos do divórcio consensual em cartório ajuda a saber, de antemão, se a situação do casal se encaixa nessa via mais ágil e menos desgastante.

O divórcio extrajudicial dispensa a ida a um tribunal: ele é formalizado por escritura pública, lavrada diretamente no cartório. Ainda assim, não é uma opção disponível para todos os casais. Existem condições legais que precisam estar presentes, e uma lista de documentos que o cartório vai exigir. Este guia reúne, de forma organizada, tudo o que costuma ser necessário.

O divórcio consensual em cartório é possível quando o casal está de acordo com o fim do casamento e não há filhos menores de idade ou incapazes cujas questões de guarda, visitas e alimentos ainda precisem ser decididas. Nesse cenário, ele pode ser feito por escritura pública, com assistência de advogado, conforme o art. 733 do Código de Processo Civil de 2015 — possibilidade introduzida no Brasil pela Lei 11.441/2007.

O que é o divórcio consensual em cartório

O divórcio consensual é aquele em que marido e mulher (ou os dois cônjuges) concordam integralmente sobre pôr fim ao casamento e sobre as questões dele decorrentes, como a partilha de bens, o uso do nome e eventuais acordos patrimoniais. Não há litígio: não existe uma parte "vencedora" e outra "perdedora", apenas um acordo a ser formalizado.

Quando esse acordo existe e estão presentes os demais requisitos, a lei permite que o divórcio seja feito na via extrajudicial — ou seja, no divórcio extrajudicial em cartório, por meio de escritura pública. Essa possibilidade foi criada pela Lei 11.441/2007 e hoje está disciplinada no art. 733 do Código de Processo Civil de 2015. A escritura tem valor legal pleno e serve para averbar o fim do casamento no registro civil.

Vale lembrar que, desde a Emenda Constitucional 66/2010, o divórcio direto no Brasil não exige qualquer prazo de separação prévia. O casal não precisa esperar um período determinado nem passar por separação judicial antes de se divorciar.

Requisitos para o divórcio consensual em cartório

Para que o divórcio consensual possa ser feito na via extrajudicial, alguns requisitos precisam estar presentes ao mesmo tempo. A ausência de qualquer um deles costuma deslocar o caso para a via judicial.

  • Consenso entre os cônjuges — ambos precisam estar de acordo com o divórcio e com todos os seus termos, incluindo a partilha dos bens. Se há disputa sobre qualquer ponto relevante, o cartório não é a via adequada.
  • Ausência de filhos menores ou incapazes com questões pendentes — em regra, a via extrajudicial exige que o casal não tenha filhos menores de idade ou incapazes cujas questões de guarda, convivência e alimentos ainda dependam de decisão. Quando esses pontos já foram resolvidos judicialmente, ou quando os filhos são maiores e capazes, o caminho do cartório pode se abrir.
  • Ausência de gravidez em curso — a existência de uma gestação também costuma exigir atenção especial e, dependendo do caso, direciona o divórcio para a via judicial.
  • Assistência de advogado — a presença de advogado é obrigatória na escritura de divórcio. O casal pode ser assistido por um advogado comum ou cada cônjuge pelo seu. O tabelião não substitui essa função.

É por isso que a expressão "divórcio sem advogado" gera confusão: o divórcio extrajudicial dispensa o juiz e o tribunal, mas não dispensa o advogado. A assistência jurídica é um requisito legal da escritura, justamente para assegurar que as partes compreendam plenamente os efeitos do acordo que assinam.

Documentos necessários para o divórcio extrajudicial

Os documentos exigidos podem variar conforme o cartório e as particularidades do casal, mas há um conjunto que costuma ser solicitado na maioria dos casos. Reunir tudo com antecedência agiliza a lavratura da escritura.

  • Documentos de identidade de ambos os cônjuges (RG, CNH ou documento equivalente) e CPF.
  • Certidão de casamento atualizada — em geral, emitida há pouco tempo, para refletir a situação atual do registro.
  • Pacto antenupcial, se houver, ou informação sobre o regime de bens adotado no casamento.
  • Documentos dos bens a partilhar — matrícula atualizada de imóveis, documentos de veículos, extratos ou comprovantes de outros bens que serão divididos.
  • Informações sobre uso do nome — se algum dos cônjuges deseja voltar a usar o nome de solteiro ou manter o nome de casado.
  • Dados do advogado que assistirá as partes (inscrição na OAB).

Quando não há bens a partilhar, o procedimento tende a ser mais simples. Quando há patrimônio envolvido, especialmente imóveis, a documentação é mais extensa e a partilha precisa estar bem definida na escritura.

O que acontece se o divórcio não for regularizado

Deixar o divórcio pendente, mesmo depois de o casal já viver separado de fato, produz efeitos jurídicos concretos perante a lei brasileira — muitos deles pouco percebidos no dia a dia.

Enquanto o divórcio não é formalizado e averbado no registro civil, a pessoa permanece oficialmente casada perante a lei. Isso significa que ela não pode se casar novamente no Brasil, já que o estado civil registrado continua sendo o de casado.

Além disso, o regime de bens continua produzindo efeitos. A depender do regime adotado no casamento, bens adquiridos enquanto o vínculo não é dissolvido podem se comunicar com o outro cônjuge, e a partilha permanece pendente. Isso pode gerar entraves em operações patrimoniais, como a venda de um imóvel ou a realização de escrituras que exijam a comprovação do estado civil ou a outorga do cônjuge.

Há também reflexos sucessórios. Com o casamento ainda não dissolvido, o cônjuge pode figurar na sucessão em caso de falecimento, e o estado civil desatualizado tende a gerar exigências adicionais em inventários e em atos de cartório. Quanto mais o tempo passa, mais camadas de documentos e atualizações podem se acumular. Regularizar a situação, portanto, não é apenas encerrar formalmente uma relação — é organizar o próprio patrimônio e evitar complicações futuras.

Perguntas frequentes

Preciso de advogado para o divórcio no cartório?

Sim. A assistência de advogado é obrigatória na escritura de divórcio extrajudicial, conforme o art. 733 do Código de Processo Civil. O que a via de cartório dispensa é o juiz e o tribunal, não o advogado.

Casal com filhos menores pode fazer divórcio consensual no cartório?

Em regra, não, enquanto houver questões de guarda, convivência e alimentos a serem definidas. Quando esses pontos já foram resolvidos judicialmente, ou quando os filhos são maiores e capazes, o caminho extrajudicial pode se tornar viável.

Existe prazo mínimo de casamento para se divorciar?

Não. Desde a Emenda Constitucional 66/2010, o divórcio direto no Brasil não exige qualquer prazo de separação prévia nem tempo mínimo de casamento.

Posso me casar de novo se não averbei meu divórcio?

Não. Enquanto o divórcio não for formalizado e averbado no registro civil, você permanece oficialmente casado perante a lei brasileira, o que impede um novo casamento no país.

Considerações finais

O divórcio consensual em cartório é uma via mais rápida e menos desgastante do que o processo judicial, desde que estejam presentes seus requisitos: consenso entre os cônjuges, ausência de questões pendentes envolvendo filhos menores ou incapazes e a assistência de advogado. Reunir a documentação com antecedência e definir claramente a partilha dos bens ajuda a tornar o procedimento mais simples.

Compreender essas condições permite avaliar, com mais clareza, se o caminho do cartório se aplica à sua situação ou se o caso exige a via judicial. Esse é um dos temas em que a Dra. Ágata Martins atua, no âmbito do Direito de Família. Se você está passando por essa situação, buscar orientação jurídica especializada pode ajudar a esclarecer seus direitos e o melhor caminho para o seu caso.

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